Just Grécia: Atenas

Ficamos hospedados no bairro de Victoria, a poucos metros de uma estação do metrô, o melhor meio de transporte. Rápido e eficiente, te permite usar o mesmo bilhete em até 90 minutos, e há estações no porto de Piraeus (de onde partem os barcos para as ilhas) e no aeroporto, além de algumas das principais atrações da cidade denominarem as estações, como Acrópole, Monastiraki e Syntagma.

Circular por Atenas foi bastante fácil. Nossa localização central permitia cômodo acesso a todas as atrações e lugares; a pé, inclusive. O que era mais distante às vezes nos obrigava a pedir um Uber, mas isso foi raro. Nem sempre caminhamos dessa vez, pois fazia muito calor. Geralmente pegávamos o metrô até a praça Monastiraki e depois fazíamos o resto a pé. A facilidade proporcionada pelo transporte público fazia com que nossas caminhadas, mesmo no calor, fossem agradáveis o suficiente para apreciar Atenas.

Assolada pela grave crise econômica, com aumento da pobreza nos últimos anos, muitas são as partes degradadas da cidade. A combinação de decadência com suas famosas atrações milenares (templos e ruínas) acentua ainda mais uma peculiar sensação de estranhamento no tempo. Essa mistura urbana, dura e engessada, alimentada por grafites, pixações e escombros, é constantemente quebrada e amenizada pela leveza da multicolorida presença das flores e plantas, com seus canteiros e varandas.

Ficamos clientes de uma cafeteria perto de casa, em frente à estação do metrô, e sempre garantíamos nosso brew of the day pra viagem antes de começar a trabalhar. Outro campeão era o expresso freddo, opção refrescante no calor de Atenas. Havia um mercado colado ao nosso apartamento, o que tornou nossas refeições mais baratas e fartas.

Logo abaixo, quase em frente à nossa portaria, tinha um café simpático (Match Point) com um atendente nada simpático. Sempre que nos atendia ele fazia questão de dizer que não havia comida. Já no restaurante Ama-Laxei, estabelecimento agradável no alto do morro em Exárchia, pudemos comer massa com lula ao redor de muito verde e amenizar o calor com uma cerveja Corfu Large. Sim, também enchemos a barriga de bastante iogurte grego durante nossa estadia, dentre otras cositas.

O único ponto destoante é que nosso bairro tinha muitos junkies, e às vezes rolava uma sensação de insegurança, com gente deitada na entrada do prédio, te forçando a desviar para poder subir. Entretanto, conversando com os locais, notamos que o bairro tinha má fama devido à grande presença de imigrantes e não necessariamente por seus índices de violência. A rejeição era mais baseada em preconceito do que em estatísticas. Ainda que fosse estritamente necessário ficar de olhos abertos, principalmente em celulares e malas, aparentemente muito visados na região. Certamente vimos movimentações estranhas, mas não chegamos a presenciar nenhum assalto ou algo do tipo. O saldo acabou sendo bastante positivo, ninguém nos abordou ou importunou.

Além da óbvia aula de História ao vivo, que te espanca a todo momento, Atenas foi fundamental para nos movimentarmos pela Grécia. Com “escalas” prolongadas nas ilhas de Milos, Koufonisia e Hydra, aproveitamos para descansar, utilizando nosso tempo disponível (algo em torno de 15 dias) para conhecer a cidade com calma. De preferência, naqueles horários mais vazios e mais frescos.

Por isso, pegamos o metrô cedo pela manhã e saltamos na estação Acrópole, a atração principal da cidade. Compramos o pacote dos templos por 30 euros e um período de 5 dias. O Museu da Acrópole não está incluso, e são mais 5 euros (dica: comece pelo último andar e assista aos vídeos antes de subir para a Acrópole propriamente dita). Como estava relativamente cedo, conseguimos subir ainda com a brisa da manhã.

Do alto da Acrópole, além da vista para a cidade, se pode apreciar o Teatro de Odeon (que ainda abriga concertos e apresentações, sobretudo no verão) e o Teatro de Dionísio (mais antigo teatro do mundo, fundado no fim do século VI a.C.), ambos na encosta.

Para assistir ao pôr do sol a dica é o Monte Lykabettus, a 280 metros de altura. Tente garantir um bom lugar no Pátio da Igreja de Agios Georgios ou no terraço do restaurante, pois há sempre o risco de ficar de pé – e sem enxergar – devido à lotação. Há duas opções de subida até o Monte: pelas escadas ou de “bondinho” (7,5 euros). Subimos de bondinho sem pensar duas vezes.

Na Antiga Ágora de Atenas, região bastante arborizada, encontramos o Templo de Hefesto e o portão de Atena, ainda preservado. Vale a pena conhecer a Praça Monastiraki (outra estação do metrô), visitar a Biblioteca de Adriano (de 132-134 a.C.), e o mercado de pulgas. Tenha paciência para caminhar e – quem sabe? – garimpar pepitas escondidas entre as centenas de tendinhas que, lado a lado, parecem se estender por quilômetros de um infinito corredor. Há vários restaurantes por ali, mas optamos por caminhar até os bairros de Thission e Psiri para uma cerveja e uma torrada com queijo, gergelim e mel no Liosporos Jazz Café-Bar.

Mais adiante, na estação de metrô Syntagma, fica a Rua Ermou e suas dezenas de lojas (Zara, Sephora, H&M etc.). Famosa por ser local de manifestações e protestos (alguns históricos e violentos), a Praça Syntagma é também conhecida por sediar o Parlamento Grego, onde vimos a bela e curiosa cerimônia da troca de guarda. Perto dali – sim, tudo está a uma caminhada de distância – ficam o Jardim Nacional, o Arco de Adriano e as colunas do Templo de Zeus. Tudo imperdível, obras cujas grandiosidade e imponência te atingem como um tapa na cara.

No bairro de Plaka há vários bares, restaurantes, lojas, ruas coloridas, becos labirínticos, escadarias, casarões neoclássicos, tavernas tradicionais e cafés. O bairro Kolonaki é outro cheio de árvores e charme, com movimentada atividade gastronômica, além de lojas, museus e galerias.

Se você chegou até aqui e tem mais dias em Atenas pode conhecer atrações alternativas aos tradicionais pontos turísticos:

Stavros Niarchos Foundation: centro cultural enorme, cuja área gigantesca abriga campos, parques, gramados, ciclovias, com apresentações ao vivo, exposições, aulas de ioga, vela e muito mais. Passamos uma tarde inteira aqui, com direito a pôr do sol, caminhada pelo “campo”, bênção do ar condicionado da livraria, comidinhas variadas, um cachorro fofo que tinha medo de descer escada, contemplação do horizonte e um cantor de churrascaria que assassinava clássicos do rock mundial diante de uma plateia desinteressada. Confira o site para saber a programação do dia;

 

Cinema Open Air: famosos cinemas ao ar livre que funcionam no verão. Conhecemos o Cine Paris, com vista para a Acrópole, e fomos no Athens Open Air Film Festival para uma inesquecível sessão de “Senhor das Moscas”;

 

Kerameikos: além do sítio arqueológico incluso no pacote dos templos, o bairro tem vários restaurantes e grafites. Uma atração interessante é a Technopolis, antiga fábrica transformada em centro cultural, com eventos de música, dança, teatro, arte performática, programas educacionais pra crianças, empreendedores e exibições temporárias. Confira o site para saber a programação.

 

Dica extra: anualmente rola a August Full Moon Festival, única noite em que vários lugares históricos, sítios arqueológicos e museus têm entrada gratuita e horário estendido. Os destaques incluem apresentações musicais no Acropolis Museum, shows em Elefsina, exibições no Archaeological Museum of Athens e no palco ao ar livre de Filopappou Hill. A Acrópole fica ainda mais linda sob a lua cheia e é um paraíso para os amantes de fotografia noturna. O festival acontece sempre após a primeira quinzena de agosto, por volta do dia 20. Infelizmente só soubemos disso quando vimos a lua cheia e um morador local comentou que era o dia do festival. Mas já era tarde… 


PS: Agradecimento especial (mais uma vez) a nossos anfitriões, Elisa e Rodrigo. Obrigado por tudo. Amamos vocês.

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